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quarta-feira, 29 de junho de 2016

PRECISAVA CHUTAR O BALDE



E quando estou cansado de olhar para porta
Tentando encontrar teus olhos pela fechadura
Distraio-me por espectros que chamam pelo meu nome,
Vazios, vazios e mais vazios.

Borras de paixões estragam meus dias,
Mas só isso!

E quando estou cansado de encarar paredes brancas
Tentando encontrar sua próxima propaganda social
Distraio-me por quimeras que sorriem para mim,
Vazias, vazias e mais vazias.

Apaixonadas capitalistas estragam meus dias,
Mas só isso!

E quando estou cansado de absorver almas alvejadas
Tentando encontrar pureza em passados obscuros
Distraio-me por corpos que dançam lascivamente,
Vazios, vazios e mais vazios.

Cretinas de manual estragam meus dias,
Mas só isso!

J. Mário Cavalcante 




sexta-feira, 24 de junho de 2016

CARAS AMARELAS NÃO ME REPRESENTAM



Refém de poucas polegadas
Vítima de alguns caracteres
Distante socialmente da realidade
Limito-me a um quadrado básico.

Meu sorriso de uma só letra
Nada comprometedor
As vezes acompanhado
De dois pontos verticais
E um parênteses fechado.

Torna-se ínfimo
Diante das circunstâncias
Ao qual apresenta-se
Meu coração nada virtual
Que não pulsa em GIF.

Perdemos a autenticidade
De comungar o mesmo sentimento
Olhando nos olhos,
Com todas as apreensões
Do que só o que é real nos traz.

J. Mário Cavalcante