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segunda-feira, 24 de abril de 2017

A SOLIDÃO ME TIRA O SONO




O relógio já passa das três e eu aqui deitado virando de um lado para o outro numa briga épica com meu travesseiro como se ele fosse o culpado pela minha falta de sono, e os minutos vão passando, atormentando numa crescente, culpo meus problemas cotidianos como contas, responsabilidades adiadas, projetos inacabados essas coisas triviais que fazem parte do dia-a-dia, mas................. Sinceramente não é disso que se trata minha insônia. Então algo acontece naquele instante em que todos os pensamentos efervescentes repousam no fundo da memória e nesse breve momento de paz percebo que o que me tira o sono não são as trivialidades mas sim um vazio que começa a ganhar forma e no mesmo instante como uma apresentação em power point começam a surgir na minha frente vários olhares e todos têm algo em comum, parecem que todos já encontraram seu lugar no mundo e eu não encontrei nem uma posição para dormir.
 E no vai e vem dos minutos que se tornaram horas meus pensamentos continuam tentando encontrar explicações ou pelo menos alento tentando prever o futuro me perguntando. Qual será a próxima vez que não sentirei esse vazio de novo?
Será que você pensa em mim?
Será que já há um vislumbre no tempo de quem será?
E de serás vou construindo um conjuntura sócio filosófica de mim mesmo, divagando vou sonhando, construindo e me preparando para o que está por vir, que pode ser vagar por mais um tempo a esmo nos meus devaneios solitários ou encontrar cumplicidade bem dosada entre duas pessoas que agora querem dividir os mesmos instantes.

domingo, 5 de março de 2017

EM QUE SINTONIA VIBRA NOSSOS CORAÇÕES





Quando despertei pela manhã ainda meio sonolento, nesta quarta-feira de cinzas onde a cortina de poeira sentava semelhante a de um campo de batalha após o caos, por de trás da confusão da noite anterior de pensamentos tempestuosos igual ao clima que insistia em entrar pela janela, tua lembrança me visitou em um sonho para me acordar de forma sutil, diferente de sua beleza que me arrebata e faz disparar o start de minhas emoções, pois sutil só o descerrar dos olhos.
Engraçado como tu entrou na minha vida sem pedir autorização e foi preenchendo espaços como poeira na dispensa abandonada de meus sentimentos, com um olhar baixo, profundo, obscuro e cheio de desdém diante da minha presença invisível e opaca.
Sempre acompanhada parece não frequentar a solidão parece blindada inalterada a dama de ferro sem coração dilacerando por onde passa emoções.
No decorrer das horas sua imagem se esvai como fumaça, na trincheira das minhas solidões. É quando percebo que por mais que queira que o amor aconteça não depende de mim, nós vivemos em frequências diferentes e não adianta que não sintoniza por agora, quem sabe em outra época quando entrarmos na mesma frequência ou ainda pode ser que isso nunca aconteça.
Enquanto olhava para a TV desligada mergulhado no nada vi que não é possível forçar o gostar, quantas vezes ouço em coro os amigos a falar (Está só porque quer!), mas não trata-se de querer e sim de sentir, preciso sentir e também que sintam o mesmo por mim, era o que escrevia sobre a frequência e quão difícil é “frequenciar-se” no meio desse monte de “desfrequenciados”.

J. Mário Cavalcante