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domingo, 5 de março de 2017

EM QUE SINTONIA VIBRA NOSSOS CORAÇÕES





Quando despertei pela manhã ainda meio sonolento, nesta quarta-feira de cinzas onde a cortina de poeira sentava semelhante a de um campo de batalha após o caos, por de trás da confusão da noite anterior de pensamentos tempestuosos igual ao clima que insistia em entrar pela janela, tua lembrança me visitou em um sonho para me acordar de forma sutil, diferente de sua beleza que me arrebata e faz disparar o start de minhas emoções, pois sutil só o descerrar dos olhos.
Engraçado como tu entrou na minha vida sem pedir autorização e foi preenchendo espaços como poeira na dispensa abandonada de meus sentimentos, com um olhar baixo, profundo, obscuro e cheio de desdém diante da minha presença invisível e opaca.
Sempre acompanhada parece não frequentar a solidão parece blindada inalterada a dama de ferro sem coração dilacerando por onde passa emoções.
No decorrer das horas sua imagem se esvai como fumaça, na trincheira das minhas solidões. É quando percebo que por mais que queira que o amor aconteça não depende de mim, nós vivemos em frequências diferentes e não adianta que não sintoniza por agora, quem sabe em outra época quando entrarmos na mesma frequência ou ainda pode ser que isso nunca aconteça.
Enquanto olhava para a TV desligada mergulhado no nada vi que não é possível forçar o gostar, quantas vezes ouço em coro os amigos a falar (Está só porque quer!), mas não trata-se de querer e sim de sentir, preciso sentir e também que sintam o mesmo por mim, era o que escrevia sobre a frequência e quão difícil é “frequenciar-se” no meio desse monte de “desfrequenciados”.

J. Mário Cavalcante