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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

QUASE DAVA TEMPO


Ruim quando saio com a sensação
Que meu relógio está adiantado
Enquanto o seu gira em outra direção
Adianta forçar o que está descompassado?

Adianta começar o que o tempo não curou?
Enquanto a relação de espaço e tempo
For o inverso entre nós dois, penso,
Dei o melhor de mim e não adiantou.

Desperdiço minhas horas em paixões fúteis
Meus dias em loopings emocionais vazios
Nunca passam de dois ou três, todos inúteis.

Mas teve um dia que quase dava tempo
Que a sincronia do espaço-tempo
Me transportou para aquele momento
Onde as paixões aparecem,
As oportunidades acontecem

E quase dava tempo.

J. Mário Cavalcante

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

QUANDO O VERÃO CHEGAR


Por mais que faça sol
Sempre há uma sombra
Assim são os sonhos
Por mais que brilhem
Há dias que apagam.

Por mais que você ame estar
Precisa seguir para sonhar
Assim são os ventos
Por mais que sopre
Há dias que não estão.

Por mais que chova
Sempre há um abrigo
Assim são as paixões
Por mais que molhem
Há dias que são secas.

Por mais que eu adore você
Preciso seguir para ver
Assim são as tempestades
Por mais que devaste
Há dias que não virão.


J. Mário Cavalcante

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

BALADA DO DIA A DIA


As vezes acontece da vida
Despertar dentro da gente,
Faz parar a música
Cria expectativa.

Há dias que de tão vazio
Qualquer sentimento serve
Faz tocar uma nova música
Cria perspectiva.

Nesse emaranhado de instantes
Surge você, um oásis
Para quem necessita de abrigo.

Nesse deserto de estátuas insensatas
Atravesso solitário em silêncio

Ouvindo a música sozinho.

J. Mário Cavalcante

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O INSTANTE QUE ANTECEDE O BEIJO II


Com os braços como se quisesse empurrar-me
Cada vez mais aninhava-se dentro do abraço.
Os corpos ofegavam como se todo o oxigênio do mundo tivesse desaparecido.
As partes de pele descorbetas repeliam-se devido a tensão.
Os rostos arranhavam-se e fervilhavam aguardando o toque.
Ofegavamos! Ofegavamos! Ofegavamos!
Os lábios ressecados pressentiam o desejo prestes a acontecer em nossas bocas.
O braço direito em forma de arco em volta da tua cintura agarrava uma fração da eternidade.
A mão esquerda que emaranhava-se entre teus cabelos atrás da tua orelha alertava o instante.

J. Mário Cavalcante

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

NÃO GANHEI UM LIVRO EM BRANCO COM 365 PÁGINAS



Para o ano que começa
Trago páginas amassadas,
Rasgadas, remendadas
Entre outras avarias
Que o tempo marca.

Minhas páginas frágeis
Não permitem começar
Tudo do zero, em branco.

Trago marcas de anos anteriores,
Histórias de amor inacabadas
Não sou livro novo!

Tenho páginas apagadas
Para escrever por cima
Mas, restaram algumas em branco
Que de tão preciosas não se escreve
Qualquer história.

J. Mário Cavalcante

sábado, 30 de dezembro de 2017

IMPOTENTE

Enquanto seu olhar distante risca a noite
Permaneço invisível, impotente e indisponível
Solidão compartilhada em locais diferentes
Abismos abissais manifestam a injustiça das intenções sufocadas
Das palavras não faladas
Das paixões abortadas
No silêncio dos desconhecidos
Por onde anda o acaso?
Você precisa ser desejada 
Em voz alta vocifero incoformado
O que tenho que fazer para ter-te?

J. Mário Cavalcante 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

PERCEPÇÃO

Ao cair da noite
Um ponto no horizonte
Observa a constelação de luzes
Criar a silhueta da cidade.

No horizonte não se ouve
O barulho que a realidade traz
Nem as dores que as almas carregam
Debaixo dela.

E quanto mais próximo chega
Percebe-se que seres habitam
Debaixo da lama que fede e sufoca
Pessoas enlameadas pensam  estar limpas.

O lugar que de longe ascendia
Cada vez mais perto apaga-se
Em realidades e pessoas bem pequenas e
Limitadas ao poder no escuro.

J. Mário Cavalcante