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segunda-feira, 18 de junho de 2018

NO RITMO DA MÚSICA



As vezes acontece da vida
Despertar dentro da gente,
Faz parar a música
Cria expectativa.

Há dias que de tão vazio
Qualquer sentimento serve
Faz tocar uma nova música
Cria perspectiva.

Nesse emaranhado de instantes
Surge você, um oásis
Para quem necessita de abrigo.

Nesse deserto de estátuas insensatas
Atravesso solitário em silêncio
Ouvindo a música sozinho.


J. Mário Cavalcante

terça-feira, 10 de abril de 2018

SEGUNDA-FEIRA



A segunda-feira achata-me até doer as costas
Afasta o desejo nutrido nos dias anteriores
Exaurido e sem perspectiva, tudo torna-se banal.

As horas empilham-se repetidas e velozes
Enquanto esqueço de te mandar um “OI”
Exaurido e sem perspectiva, tudo torna-se banal.

A mente rebobina-me em todos meus fracassos
Um de cada vez, pior dia para querer ser alguém
Exaurido e sem perspectiva, tudo torna-se banal.

As obrigações escravizam-me até parecer importante
Deixa a vida para depois, talvez dê tempo recuperar
Exaurido e sem perspectiva, tudo torna-se banal.

J. Mário Cavalcante

quarta-feira, 28 de março de 2018

AGLOMERADO



Num espaço limitado, dezenas
De sonhos comprimidos
Dentro da pressa
Da vida cotidiana.

Olhares vagos, bocas perdidas
Silêncio existencial
De vidas que se cruzam
E não se sentem.

Intimo por um instante,
Ao sair pela porta
Dissolve-se entre as ruas,
Os carros, a fumaça, a noite…

Passam, passam, passam,
Não param, na mente a vida acontece
Enquanto a vida vai passando
Sem tomar nota do acaso.


J. Mário Cavalcante

sexta-feira, 9 de março de 2018

PERMANECEU NO ÓBVIO



Aquele momento de transição
Que te separa de “todo” o resto
Raro, possivelmente instintivo
De largar o óbvio e o possível,
Impressionou o fato de preferir permanecer
Vazia e parcialmente limitada,
Apesar de demonstrar com o olhar baixo
A suspeita de uma escolha errada, preferiu o obvio
Vale o momento de permanência no que é real?
Trata-se de silêncio, daquele que faz barulho
Incomoda, tira o sono, na tela a indiferença.
Deixei a porta aberta e você não entrou
Tentei manter o dialogo e você calou.
Os dias se arrastaram de luto,
A morte da possibilidade
Criou a maior das solidões,
A desacompanhada de qualquer fuga,
Sem substituta, só amargura, vazio
E silêncio, silêncio, silêncio…

J. Mário Cavalcante

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

QUASE DAVA TEMPO


Ruim quando saio com a sensação
Que meu relógio está adiantado
Enquanto o seu gira em outra direção
Adianta forçar o que está descompassado?

Adianta começar o que o tempo não curou?
Enquanto a relação de espaço e tempo
For o inverso entre nós dois, penso,
Dei o melhor de mim e não adiantou.

Desperdiço minhas horas em paixões fúteis
Meus dias em loopings emocionais vazios
Nunca passam de dois ou três, todos inúteis.

Mas teve um dia que quase dava tempo
Que a sincronia do espaço-tempo
Me transportou para aquele momento
Onde as paixões aparecem,
As oportunidades acontecem

E quase dava tempo.

J. Mário Cavalcante

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

QUANDO O VERÃO CHEGAR


Por mais que faça sol
Sempre há uma sombra
Assim são os sonhos
Por mais que brilhem
Há dias que apagam.

Por mais que você ame estar
Precisa seguir para sonhar
Assim são os ventos
Por mais que sopre
Há dias que não estão.

Por mais que chova
Sempre há um abrigo
Assim são as paixões
Por mais que molhem
Há dias que são secas.

Por mais que eu adore você
Preciso seguir para ver
Assim são as tempestades
Por mais que devaste
Há dias que não virão.


J. Mário Cavalcante

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

BALADA DO DIA A DIA


As vezes acontece da vida
Despertar dentro da gente,
Faz parar a música
Cria expectativa.

Há dias que de tão vazio
Qualquer sentimento serve
Faz tocar uma nova música
Cria perspectiva.

Nesse emaranhado de instantes
Surge você, um oásis
Para quem necessita de abrigo.

Nesse deserto de estátuas insensatas
Atravesso solitário em silêncio

Ouvindo a música sozinho.

J. Mário Cavalcante