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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

BALADA DO DIA A DIA


As vezes acontece da vida
Despertar dentro da gente,
Faz parar a música
Cria expectativa.

Há dias que de tão vazio
Qualquer sentimento serve
Faz tocar uma nova música
Cria perspectiva.

Nesse emaranhado de instantes
Surge você, um oásis
Para quem necessita de abrigo.

Nesse deserto de estátuas insensatas
Atravesso solitário em silêncio

Ouvindo a música sozinho.

J. Mário Cavalcante

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O INSTANTE QUE ANTECEDE O BEIJO II


Com os braços como se quisesse empurrar-me
Cada vez mais aninhava-se dentro do abraço.
Os corpos ofegavam como se todo o oxigênio do mundo tivesse desaparecido.
As partes de pele descorbetas repeliam-se devido a tensão.
Os rostos arranhavam-se e fervilhavam aguardando o toque.
Ofegavamos! Ofegavamos! Ofegavamos!
Os lábios ressecados pressentiam o desejo prestes a acontecer em nossas bocas.
O braço direito em forma de arco em volta da tua cintura agarrava uma fração da eternidade.
A mão esquerda que emaranhava-se entre teus cabelos atrás da tua orelha alertava o instante.

J. Mário Cavalcante

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

NÃO GANHEI UM LIVRO EM BRANCO COM 365 PÁGINAS



Para o ano que começa
Trago páginas amassadas,
Rasgadas, remendadas
Entre outras avarias
Que o tempo marca.

Minhas páginas frágeis
Não permitem começar
Tudo do zero, em branco.

Trago marcas de anos anteriores,
Histórias de amor inacabadas
Não sou livro novo!

Tenho páginas apagadas
Para escrever por cima
Mas, restaram algumas em branco
Que de tão preciosas não se escreve
Qualquer história.

J. Mário Cavalcante

sábado, 30 de dezembro de 2017

IMPOTENTE

Enquanto seu olhar distante risca a noite
Permaneço invisível, impotente e indisponível
Solidão compartilhada em locais diferentes
Abismos abissais manifestam a injustiça das intenções sufocadas
Das palavras não faladas
Das paixões abortadas
No silêncio dos desconhecidos
Por onde anda o acaso?
Você precisa ser desejada 
Em voz alta vocifero incoformado
O que tenho que fazer para ter-te?

J. Mário Cavalcante 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

PERCEPÇÃO

Ao cair da noite
Um ponto no horizonte
Observa a constelação de luzes
Criar a silhueta da cidade.

No horizonte não se ouve
O barulho que a realidade traz
Nem as dores que as almas carregam
Debaixo dela.

E quanto mais próximo chega
Percebe-se que seres habitam
Debaixo da lama que fede e sufoca
Pessoas enlameadas pensam  estar limpas.

O lugar que de longe ascendia
Cada vez mais perto apaga-se
Em realidades e pessoas bem pequenas e
Limitadas ao poder no escuro.

J. Mário Cavalcante



sábado, 21 de outubro de 2017

JÁ BASTA

Afundava a cabeça no travesseiro
Embalado por meus sonhos
Mergulhava cada vez mais
Na esperança de uma criança
Talvez inocente talvez cansada
Definitivamente convicta
De que no mundo, já basta
De tanta gente chata,
Demagógica e hipócrita.
Já basta de falsos pregadores
E de idiotas que se dizem doutores
E de doutores que não se dizem.
Procura-se demolidores de pedestais
Que não tenham problemas mentais
Aliás quem não os têm?
Com a cabeça afundada no travesseiro
Bem distante dos meus sonhos
Despertava cada vez mais
Sem esperança para um adulto
Talvez nocivo talvez cansado
Definitivamente convicto
De que no mundo, já basta.

J. Mário Cavalcante



domingo, 8 de outubro de 2017

AUTO-RELATO DE UM CIGARRO


Na maior parte do tempo sou fumaça
Dissipo no calor dos teus abraços
Até respirar fundo ameaça
Qualquer toque desmancha os laços.

Restaram os dias que sou brasa
Fervo incompreendido na alma
Distraída e leve queimo e vazo
Tornando difícil os dias de quem ama.

No chão um monte de cinzas
Misturam-se com a poeira
Das pedras dos meus sapatos.

Um último trago na soleira
Da porta, considerando os fatos
De que sou feito de camadas.

J. Mário Cavalcante